quarta-feira, dezembro 10, 2008

Ainda sobre as enchentes

Sei que tem muita gente desabrigada ainda, mas vocês já pararam pra pensar nos animais que foram abandonados por seus donos na hora do desespero em que estavam ao ter que deixarem suas casas?

Quantos famílias não puderam e não tinham condições de levar seu animais de estimação para os abrigos? Quantos desses animais não devem estar desamparados, passando fome e frio, sem tem um lugar pra ficar... Pra quem tem um bichinho de estimação isso dói demais, afinal de contas poderia acontecer com qualquer um de nós.


No site da WSPA tem informações pra quem quiser ajudar, e, melhor, a instituição não aceita dinheiro, quem quiser colaborar é só comprando ração mesmo. Diante de tanta gente querendo se aproveitar da situação essa é com certeza um opção pra quem quer ajudar e tem medo de ser enganado.

Chuva por todo lado, e medooooo!

Nas últimas semanas Floripa e várias cidades próximas sofreram com as chuvas torrenciais que caíram por vários dias sem cessar.

Aqui em Floripa a situação foi menos pior do que em Itajaí, Blumenau, Gaspar e redondezas, mas o susto que levei foi grande, ao ponto de pensar em deixar a casa e passar alguns dias na casa de amigos. A casa onde moro fica no topo do morro, bem próximo de onde caiu a barreira que vai para as praias do Norte da Ilha e, pra me ajudar, em cima da minha casa tem uma pedra gigantesca, que até então me parecia sempre tão inofensiva... Quando as chuvas aumentaram, o medo também cresceu, e a midia colaborou muito pra deixar todo mundo mais preocupado ainda (com o seu jornalismo achando que tragédia significa oportunidade de aumento de audiência e fazendo correr lágrimas dos telespectadores -ahhhh, como eu fiquei p da vida com isso!). A sorte foi que aos poucos o tempo foi melhorando, o sol reapareceu e tudo está voltando ao normal.



Vou postar aqui um texto de um morador de Itajaí que me pareceu fazer uma descrição bastante lúcida e sem melodramas. O texto me fez pensar em como o ser humano pode ser muito, fazendo o pouco que está ao seu alcance.



Meus amigos,
Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar.
A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.
As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.
Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos.
As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recupera-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.
Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros.
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.

Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.

Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina, um anônimo escreveu isto:

COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão Até que as noites se fizeram longas e sem luzEu não resistia ao frio facilmenteAté passar a noite molhado numa lajeEu tinha medo dos mortosAté ter que dormir num cemitérioEu tinha rejeição por quem era de Buenos AiresAté que me deram abrigo e alimentoEu tinha aversão a Judeus, e ÁrabesAté darem remédios aos meus filhosEu adorava exibir a minha nova jaquetaAté dar ela a um garoto com hipotermiaEu escolhia cuidadosamente a minha comidaAté que tive fomeEu desconfiava da pele escuraAté que um braço forte me tirou da águaEu achava que tinha visto muita coisaAté ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruasEu não gostava do cachorro do meu vizinhoAté naquela noite eu o ouvir ganir até se afogarEu não lembrava os idososAté participar dos resgatesEu não sabia cozinharAté ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fomeEu achava que a minha casa era mais importante que as outrasAté ver todas cobertas pelas águasEu tinha orgulho do meu nome e sobrenomeAté a gente se tornar todos seres anônimosEu não ouvia rádioAté ser ela que manteve a minha energiaEu criticava a bagunça dos estudantesAté que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidáriasEu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anosAgora nem tantoEu vivia numa comunidade com uma classe políticaMas agora espero que a correnteza tenha levado emboraEu não lembrava o nome de todos os estadosAgora guardo cada um no coraçãoEu não tinha boa memóriaTalvez por isso eu não lembre de todo mundoMas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todosEu não te conheciaAgora você é meu irmãoTínhamos um rioAgora somos parte deleÉ de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frioGraças a DeusVamos começar de novo.Anônimo

É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente.Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.Pelo menos é a minha hora, acredito.Que Deus abençoe a todos.

Atenciosamente,

*Marcos Rossi****Supervisor de Vendas*

domingo, novembro 02, 2008

Tem festa no apê

Domingão de chuva, só pra variar, q saco! Como em Floripa não se tem o que fazer nos finais de semana que chovem, cá estou eu na frente do micro tentando encontrar algo útil ou até mesmo inútil pra passar o tempo.
Nesse final de semana tive a visita de uma amiga de longa data que conheci alguns anos atrás em Floripa: Jaqueline, ou Jack Joy, como carinhosamente apelidei. Nos conhecemos quando eu morava na Trindade e estava procurando alguem pra dividir o apartamento onde eu morava. Naquela época eu ainda fazia faculdade e estava na fase mais festeira de minha vida. Morávamos eu, ela e o Garopaba (outro grande amigo que em outro post conto como nos conhecemos). Ficávamos eu e ela sozinhas no apê todo final de semana, já que o Garopaba tinha namorada e toda sexta-feira vazava com ela pra sua cidade.
Nos domingos era de praxe fazermos um almocinho básico regado a caipirinha pra abrir o apetite. Tudo isso embalado com um som no último volume de alguma dupla sertaneja.
Uma das tantas histórias que passamos juntas foi um dia em que fizemos um almoço de final de semana e resolvemos comprar um litro de whisky pra fazer um esquenta pra balada de sábado à noite. Pra nos ajudar na difícil tarefa de acabar com a garrafa convidamos a Jamille, que no primeiro momento falou: Whisky? Vcs estão loucas? Eu não tomo isso!!!
Mas isso foi só até ela chegar e tomar o primeiro gole... depois do primeiro ninguém mais nos segurou. Sei que no final tomamos todas, sempre ao som do sertanejão. A síndica do prédio não curtiu muito a idéia e chamou a polícia pra nos visitar. Devia ser umas seis horas da tarde quando a viatura apareceu em frente ao nosso prédio e como nós estávamos na janela da sala acenamos pra eles, que simplesmente abriram um sorrisinho, deram meia volta e partiram. Acho que a partir desse dia a síndica do prédio que já não ia com a nossa cara nunca mais nos cumprimentou. Por que será?
Mas essa é só uma das muitas que aprontamos no famoso apê da Trindade...

sexta-feira, outubro 31, 2008

Lá vem o sol! tchu-ru-ru-ru

Finalmente acho q vamos ter um final de semana com SOL.
Desde agosto que a chuva toma conta dos finais de semana em Floripa. Ninguém merece isso, lembro que no ano passado nessa época já estava pegando um bronze e curtindo uma praia todo findi...
O negócio é torcer pro tempo continuar firme pelo menos até domingo à noite. Depois, o resto é resto...

domingo, outubro 26, 2008

O retorno

Tá, sei q não cumpri a palavra e não atualizei mais o blog por long long time, como diria meu velho amigo Gio. Mas é que as coisas realmente estavam complicadas, nesse último ano minha vida se resumiu a trabalho. Era a empresa de comunicação e o Armazem; na empresa de segunda à sexta e no bar eram quatro noites na semana. Quase não dormia, tinha noites que chegava em casa 3h da matina, daí já viu né, o tempo q sobrava eu dormia e dormia.. Foi um ano que não vi passar, foi tudo muito rápido e não tinha nem tempo pra pensar na minha vida. Sem contar as olheiras e linhas de expressão (veja bem, eu falei "linhas de expressão" e não rugas.. rssss) que afloraram nesse meio tempo.
Hoje as coisas estão mais tranquilas, mudei de emprego depois de oito anos na mesma empresa, e no Armazem meus dias também reduziram, agora só trabalho lá nas sexta e sábados. Ainda não tô com a vida que queria, mas já deu uma boa melhorada. Pelo menos tenho tempo pra curtir a minha casa, ler as minhas literaturas prediletas e às vezes até me arriscar na cozinha, coisa que pra mim em outros tempos era praticamente inimaginável.
Agora vamos ver se continuo a atualizar o blog, não sei se é esse domingo chuvoso que me empolgou ou a TPM que me deixa mais vulnerável a pensar na vida e refletir, mas a promessa taí, vamos ver se cumpro.